Quando quis começar a surfar, os meus pais não gostaram muito da ideia. Como pais, aquela ideia de que o surf leva a uma má vida de estar o ano todo na praia “sem fazer nada”, estava muito presente. Mesmo assim insisti e lá consegui ter umas aulas na escola de Carcavelos, Carcavelos Surf School. Um ano mais tarde, com 14 anos, algo mudou na minha vida, algo que, mal eu sabia, a iria fazer a minha vida tomar um novo rumo. Entrei para o grupo Surftechnique, grupo de treinos que nos preparam para a competição, muito específicos e rigorosos. Passei a ter 3 treinos por semana sem contar com os fins-de-semana ocupados com campeonatos
Basicamente o meu tempo livre reduziu-se a metade, tive de passar a ser mais organizada com os estudos pois ter boas notas foi uma das condições impostas pelos meus pais para poder fazer o que tanto gostava. Agora já passaram 3 anos e em muito vi as consequências, tanto positivas como negativas, que esta minha escolha provocou. Numa fase em que os adolescentes começam a descobrir novas coisas, a ter mais liberdades, eu vi muitos amigos a começarem a fumar, saírem à noite todos os fins-de-semana, enfim, a ocuparem os seus tempos livres com todos esses hábitos comuns. Não digo que está certo nem errado, apenas é o que vejo. Talvez se eu não fizesse surf também andasse a sair todas as noites e limitava-me a ser como toda a gente. Se isso seria melhor ou pior, só deus sabe.
Muitas vezes me perguntam se eu não me farto de tanto regime, de não poder fazer quando e o que me apetecer, de não ter tanto tempo livre quanto o normal. Por outro lado também muitas vezes me dizem “que sorte! Vais faltar duas semanas às aulas para ir para a Nicarágua/Equador/etc.”. Tudo tem os seus prós e contras.
A vida que eu escolhi, e de que não me arrependo, não me permite estar com os meus amigos sempre que quero nem a ficar tardes sem fazer nada mas permite-me passar a vida a viajar, a conhecer novos sítios, a surfar em sítios com ondas perfeitas e água quente e a viver a experiência de campeonatos do mundo ou da Europa. Posso não sair tantas vezes à noite como os outros, mas quando isso acontece, sei aproveita-la bem. Não digo que todos preferissem este estilo de vida, mas eu, não o trocaria por nada!


