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20 JANEIRO
2010

Índia Surf Trip = sorte!

Vim para o interior do Estado de Karnataka, no Sul da Índia, para mais uma temporada de estudo e para ver o oceano, tenho de me fazer à estrada, percorrer milhares de kms e com sorte, encontrar alguma praia que receba swell. O problema da Índia é que tudo parece depender mais de sorte do que de informação, as estradas nem sempre estão nos mapas e perdermo-nos é o mais usual, entre descobrir as praias, entender quais as que tem hipótese de receber ondulação, ainda convém perder algum tempo em perceber se vamos ter extra-companhia, tubarões! Já há algumas praias indianas conhecidas pelas suas ondas, a melhor altura é normalmente entre Maio a Setembro, época da pré-monção e da monção, vêm as ondas e também muita chuva. Aconselho os aventureiros que equacionam uma Surf Trip a esta terra abençoada, a trazerem prancha própria, porque o mais certo é não haver ninguém a quem alugar ou comprar uma. Sinceramente, não vai ser desta vez que vou aí andar com a prancha debaixo do braço, estou inscrita na escola de Ashtanga Vinyasa Yoga até meio de Abril e ausentar-me está fora de questão. Talvez para o próximo ano vá percorrer a costa, na procura de ondas. Nos dias de hoje é fácil conhecermos outros surfistas e aqui já me falaram muito das ondas de Goa, Gokarna, Kovalam Beach, Auroville e as preferidas são as de Maravanthe e Puri. Mas pelos seus relatos, consegui discernir que uma Surf Trip à Índia pode ser uma verdadeira maravilha ou um terrível pesadelo, temos mesmo que recolher o máximo de informação e esperar que a sorte esteja do nosso lado. Há uns anos atrás, na primeira vez que vim para esta terra, trouxe a minha prancha e num fim-de-semana prolongado, meti-me num jipe com mais uns amigos surfistas (portugueses e brasileiros) e fizemos-nos à estrada em direcção a Kerala. A escolha do pico foi feita porque um dos meus amigos, já lá tinha estado e havia-nos mostrado fotos que faziam sonhar com três dias de ondas pequeninas mas perfeitas. O plano era demorarmos 6 horas até lá, o caminho era tão cheio de buracos, as estradas tão rudimentares, que as 6 horas inevitavelmente passariam para 8, mas a sorte estava tão longe de nós, que alguém tinha fechado a estrada principal, como opção tínhamos o caminho pela montanha, cheguei a Kerala passado 12 horas. Deixámos as coisas no hotel, agarramos as pranchas e corremos para a praia, a praia achámos, mas ondas? Nada! Como não víamos mar há mês e meio, com ondas ou sem, entrámos todos, andámos para ali a remar e a rir da nossa (pouca) sorte. Nos poucos dias que lá estivemos e por mais rezas a Ganesha, Shiva e a todos os Deuses Hindus que nos lembrámos, não vimos nada que se parecesse com uma onda. Namastê! Vera

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