
O sentimento de pertença existe desde sempre em todos os segmentos da nossa existência, a sobreposição de poderes é avaliada por parâmetros hierárquicos ou locais. É desta forma que flutuamos por cima de subjugados ou nos encolhemos perante superiores momentâneos ou por outro lado, também podemos tentar contornar toda a lógica (como se houvesse uma lei universal) e seja em que situação for ou com quem for passamos por visionários oportunistas.
A minha opinião em relação ao localismo, no que ao surf diz respeito, é bastante clara e presumo, parecida com a grande maioria - Se existirem surfistas existe localismo. Em situações bem menos complexas temos alguns ataques de possessão desmedida, seja naquele determinado lugar de estacionamento em frente à porta de casa, o poiso na faculdade ou o canto da pista da discoteca lá da terra - casos em que existe pseudo-localismo. Já a apropriação legítima de tal pedaço de costa, é feita por aqueles que, por inerência do tempo que passam de molho no pico, mostram cara feia quando são confrontados com a invasão do forasteiro, ditam as regras do bom comportamento e… apanham umas à tua frente.
Em determinados sítios, o localismo tornou-se um utensílio de filtragem e orientação perante as mais diversas atitudes e/ou excesso de à vontade perante o próximo. É frequente ver, em alguns dos line-ups mais congestionados da nossa costa, a atitude do “deixa ver se pega”, ou a aquela “sou daqui desde pequeno”. É por estas e por outras que os guardiões do pico passam muitas vezes por maus da fita.
O localismo é um dado adquirido, não é algo que se possa construir ou desconstruir. Está inerente ao processo de maturação dos surfistas e demais utilizadores constantes do pico. O que se pode e deve fazer, é educar e procurar a melhor forma de gerir os pontos mais cinzentos existentes na batalha das prioridades.
Muitas vezes, até o próprio desconhecimento serve para criar problemas em momentos de descontracção. É por isso que regular o local onde se surfa é algo que acaba por ser útil e vantajoso para todos. Se não vejamos, não havendo localismo iria sempre imperar a lei do mais forte. Se por outro lado houver algum “alcaide” bem intencionado, consegue gerir-se a coisa de forma a que até o mais “maçarro” consiga pelo menos apanhar uma no rabo da mais pequena do set.
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Quando quis começar a surfar, os meus pais não gostaram muito da ideia. Como pais, aquela ideia de que o surf leva a uma má vida de estar o ano todo na praia “sem fazer nada”, estava muito presente. Mesmo assim insisti e lá consegui ter umas aulas na escola de Carcavelos, Carcavelos Surf School. Um ano mais tarde, com 14 anos, algo mudou na minha vida, algo que, mal eu sabia, a iria fazer a minha vida tomar um novo rumo. Entrei para o grupo Surftechnique, grupo de treinos que nos preparam para a competição, muito específicos e rigorosos. Passei a ter 3 treinos por semana sem contar com os fins-de-semana ocupados com campeonatos
Basicamente o meu tempo livre reduziu-se a metade, tive de passar a ser mais organizada com os estudos pois ter boas notas foi uma das condições impostas pelos meus pais para poder fazer o que tanto gostava. Agora já passaram 3 anos e em muito vi as consequências, tanto positivas como negativas, que esta minha escolha provocou. Numa fase em que os adolescentes começam a descobrir novas coisas, a ter mais liberdades, eu vi muitos amigos a começarem a fumar, saírem à noite todos os fins-de-semana, enfim, a ocuparem os seus tempos livres com todos esses hábitos comuns. Não digo que está certo nem errado, apenas é o que vejo. Talvez se eu não fizesse surf também andasse a sair todas as noites e limitava-me a ser como toda a gente. Se isso seria melhor ou pior, só deus sabe.
Muitas vezes me perguntam se eu não me farto de tanto regime, de não poder fazer quando e o que me apetecer, de não ter tanto tempo livre quanto o normal. Por outro lado também muitas vezes me dizem “que sorte! Vais faltar duas semanas às aulas para ir para a Nicarágua/Equador/etc.”. Tudo tem os seus prós e contras.
A vida que eu escolhi, e de que não me arrependo, não me permite estar com os meus amigos sempre que quero nem a ficar tardes sem fazer nada mas permite-me passar a vida a viajar, a conhecer novos sítios, a surfar em sítios com ondas perfeitas e água quente e a viver a experiência de campeonatos do mundo ou da Europa. Posso não sair tantas vezes à noite como os outros, mas quando isso acontece, sei aproveita-la bem. Não digo que todos preferissem este estilo de vida, mas eu, não o trocaria por nada!



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Porque que o mar é uma incógnita, até mesmo quando as previsões existem?
Porque as previsões nem sempre estão certas…
Os fim-de-semanas são sagrados para muitos, para outros estes dias, são apenas mais dois dias da semana… o meu é sem dúvida sagrado, pelo menos o surf ao fim-de-semana, agora, é sagrado!
Antigamente, o surf era uma constante no meu dia-a-dia, e pelos vistos o antigamente é algo talvez, meio recente? Tinha tempo para surfar se não todos os dias, a maior parte deles, o que ao fim do dia me deixava extremamente completa! No entanto, desde o fim do verão que já não sei o que isso é, o meu tempo é repartido entre a faculdade, o OL e por fim, pelo ginásio. Não me queixo.. mas porque é que os dias no Inverno são mais pequenos do que no Verão? É a pergunta que muitas vezes me faço, e que simplesmente, gostava de não ter que a fazer. Se os dias fossem mais longos com certeza, e em vez de ir ao gym, tinha tempo para surfar, e com certeza como eu, existem muitas mais pessoas que preferiam e que queriam que os dias de Inverno fossem maiores! Para isto não há explicação.. Mas para o sentimento de surfar diariamente há.. E qualquer um é sinónimo de felicidade!
 A caminho da felicidade...
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Época de pouco vento é o que é e o que temos!
As alegrias que a nortada nos trouxe este verão são muitas vezes o que nos resta! Mas ain
da assim, com alguns dias melhores do que outros, a malta vai “matando o bichinho!”
No entanto, é com pena que vemos anunciado o cancelamento da última etapa do Nacional em Ondas, exactamente pela falta de condições que perseguiram o calendário da prova durante as duas últimas etapas – Guincho (!!) e Faro.
De facto, o Wave Tour sempre foi o mais difícil de realizar, pois é necessário conjugar as condições ideais de vento e de mar, o que torna tudo mais complicado! Soluções? Não sei… Abandonar o regime de standing que tem vindo a ser usado até agora, só reduz as probabilidades de termos uma etapa com boas condições. Ter datas fixas ajuda os Organizadores e os atletas a organizarem a sua vida, e dá, eventualmente, uma maior margem de manobra para os sponsors comunicarem e terem o seu retorno. Que futuro para esta disciplina que cada vez tem mais adeptos no universo do kite nacional? Vamos ver o que nos reserva 2010!
De louvar o empenho de toda a comunidade para que, mesmo sem patrocinadores, o Campeonato Nacional pudesse ser um sucesso em todas as etapas realizadas nas diferentes disciplinas. Eu, pessoalmente, fico feliz com o comprometimento dos atletas nacionais nesta competição, e com a motivação com que entram na água e com as horas de treino que lhe dedicam! Neste CNK09 Wave que agora chega ao fim, sagra-se Campeão mais um jovem rider, o Gonçalo “Gonzas” Gomes, um dos putos-maravilha que dá sempre gozo ver andar!

Para VER o último filme do “puto” nas ondas do Cabedelo de Viana do Castelo, um dos seus (e de muitos de nós) spots preferidos!
Nos próximos dias, com fracas previsões para kite, vou experimentar outras aventuras no mar, com prancha, mas sem vento :) ... Su no Padle (SUP)??? Para dias sem ventanias parece-me muito, muito bem! Dou notícias da aventura! ;)
Até já!
Por volta da hora de almoço, não sei se de Inverno ou Verão, ando rapidamente no último piso do Centro Comercial Colombo. A minha faculdade fica relativamente perto e não são poucas as vezes em que ocupo os intervalos entre aulas a ver as novidades na Fnac.
Nunca compro nada, mas por vezes sento-me por lá e leio. Depois, passo na papelaria e vejo as revistas de skate.
Aproximo-me da papelaria, mas tenho alguma pressa. Quando chego à porta páro, sem intenção de entrar. Há uma revista lá dentro que prende a minha atenção porque tem uma capa fantástica. Entro, pego na revista e reparo que nunca a tinha visto antes, nem sei do que se trata, mas apetece-me comprá-la. Rapidamente percebo que é de surf. Surf?! Enfim... Pela capa nem parecia... Não hesito: gosto da capa e não me importo que seja acerca de uma coisa que não me interessa nada...
E o surf não era só uma coisa que não me interessava nada. Irritava-me bastante até. Aquela imagem de miudos loirinhos, super na moda, nem queria ouvir falar...
Mas, não fosse eu bastante curiosa e ler um dos meus maiores vícios, devorei aquela revista da primeira à última página. De certa forma, senti-me identificada com o que li e passei a ler regularmente alguma coisa sobre surf.
Algum tempo depois, tropeço no livro “ No Princípio Estava o Mar” de Gonçalo Cadilhe. Era Natal e comprei-o para mim. E aquela coisa de descer ondas e deslizar na parede começou a despertar-me alguma curiosidade. Talvez até nem fosse má ideia experimentar...
No Verão de 2006 apanhei a minha primeira onda e foi uma sensação incrível. Mas, com a chegada do Inverno, passei a ter mais medo do mar e dores de garganta do que vontade de surfar. Depois de duas grandes constipações naquele Inverno gelado, achei que aquilo não era para mim... No ano seguinte mal toquei na prancha. Dois verões depois, achei que estava na altura de vender o material que tinha comprado para usar tão pouco. Mas, quis dar-me uma última oportunidade, só para ter a certeza que não queria mesmo surfar.
E, de repente, sem razão nenhuma, não consigo pensar noutra coisa...
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