
Haveria melhor forma de confirmar o que escrevi anteriormente em "Talento Português"?
Após o excelente segundo lugar em Sopelana, Filipe Jervis arruma todos aqueles que poderiam duvidar desse lugar, conquistando o próprio primeiro lugar nas Canárias!
Estava eu e o David a comandar o resto das tropas, no campeonato de esperanças em Viana do Castelo e à medida que o Telmo telefonava das Canárias, o sangue acelerava para confirmar o que a nossa convicção ditava. Como é óbvio, estávamos a contar que todos os outros "lavrassem" as suas baterias mas infelizmente, no meio de muitas boas notícias, lá vinham umas menos boas.
Em águas geladas do norte, lá batalhavamos com os mais novos procurando que realizassem as suas baterias preocupados naquilo que sabem fazer, aplicando-o. Houve sucesso e insucesso, sucesso na medida em que atletas, mesmo perdendo, mostravam atitude e determinação em surfar bem. Insucesso quando, por razões técnias ou tácticas, se mostravam bloqueados de reacção provocando prestações muito abaixo do que são capazes. Na minha opinião, um campeonato de esperanças serve para a formação dos mais novos, ajudando a respirar ambientes competitivos, aprender a estar e ser concentrado, conhecer as suas qualidades e as dos que o acompanham na evolução ou mesmo para exibirem aquilo para que tanto treinaram. Tudo isto com prioridade sobre qualquer objectivo relacionado com o resultado, com o lugar conquistado.
Bem a sul, nas ilhas espanholas, o pró-júnior europeu continuava e os portugueses mostravam serviço. Com a tal atitude (que eu acho que repito esta palavra mais do que devia), o Domingos e a Maria conquistam um lugar na final (se bem que tanto um como outro sabem fazer muito melhor do que o que fizeram!). Outros tantos merecem destaque mas como são muitos, tenho que me resumir, senão ainda me acusavam de utilizar o blog para promover os meus atletas, que eu não o faço!! Nem pensar! Realiza-se a entrega de prémios debaixo de um sol que felizmente não quis faltar, arruma-se a confusão da zona Surftechnique, pranchas, fatos, guarda-sol, toalhas e o telefone toca... no visor aparecia "Telmo". O David atende, a Surftechnique faz silêncio em círculo, à volta do telémóvel. Já sabiamos que o Filipe se tinha qualificado para a final juntamente com Ramzi, depois de uma excelente prova!
David: -"Trouxemos a taça!!!!!". Só me apeteceu rebentar de alegria, mas nunca fui de grande exibições de felicidade! Guardei 90% do excitamento para dentro e respirei fundo... nada que não mereçam todos. Tardou, mas chegou e como dizia o número 7 dos Catalães "é como o ketchup, quando sai, sai tudo de uma vez"! Acreditamos que sim e acreditamos que não será só ele porque todos eles merecem. Pareço uma Mãe orgulhosa mas às vezes os dedos começam a teclar sózinhos!
Parabéns a todos eles por serem quem são, parabéns também aos mais novos que estiveram em Viana do Castelo e aproveitem mais uma porta que o Filipe abriu para acreditarem que é lá no topo que estamos bem.
Antes de fechar, queria também mostrar o meu surpreendimento com o discurso que o Guilherme fez no pódio, para quem lá esteve sabe do que me refiro, para quem não lá foi... que fosse! ;)
Agora desapareço uma semana e talvez venha com histórias para vos escrever.
(Tentei roubar uma fotografia do site da ASPeurope mas não consegui, era uma fotografia do grupo português nas Canárias por isso vejam e façam de conta que a pus aqui)!!
A primeira etapa do pró-júnior europeu começou em San Sebastian e, como é hábito, o grupo de alta competição da Surftechnique esteve presente. Chegámos ao fim do dia 20 de Julho, após uma longa viagem, e instalados do outro lado da rua, perpendicular à marginal. Perfeito! Poder estacionar a carrinha e não lhe tocar mais evita o maior stress de estacionamento e, consequentemente, o maior número de multas passadas (não sei bem porquê mas matrículas portuguesas atraiem multinhas).
Depois de treinos e surfadas na praia do campeonato dois dias antes, dia 22 começou a prova. O surf é um desporto individual, sem dúvida, mas um dos nossos muitos objectivos de viagem da Surftechnique é procurar criar um grupo unido que se apoiem uns aos outros (o que, de facto, acontece naturalmente entre os portugueses). Para além do grupo "veterano" (Zé, Vasco, Filipe e Xico) tivemos os "rookies" Miguel e João e ainda os irmãos Belime que se juntaram à comitiva. Também habitual é a companhia do Kikas para entreter o Zé enquanto não competem!
Entre altos e baixos (mais baixos que altos) a prova decorreu e, no geral, das piores provas que assisti dos meus atletas. De destacar as prestações do Vasco e Miguel, o resto esteve muito abaixo do que são realmente capazes. É nestas alturas que o treinador começa a entrar numa fase de sinapses cerebrais aceleradas, intensas e constantes para procurar respostas a tal situação. Como em tudo, quando a equipa perde é o treinador que tem a culpa, mas quando ganha são os jogadores que são bons e desta forma eu tinha que dar a volta à situação e evitar que se voltasse a repetir quatro dias depois em Sopelana.
Muito surf, muitas filmagens, rigor disciplinar e motivação. Estivemos quatro dias a trabalhar, aproveitando a raiva de ter perdido para a aplicar no surf. Muito ambiente positivo, muita confiança e muita atitude era o que mais pedia aos meus atletas. Estavamos preparados!
As previsões para Sopelana não eram das melhores mas viesse o que viesse, nós lá estávamos prontos para enfrentar. Meio metro (com alturas da maré que nem isso tinha) e bom tempo caracterizavam os dias de competição. Independentemente das condições do mar (que estavam iguais para todos não servindo como desculpa) tudo nos corria bem. Estavamos instalados num apartamento ao lado da praia com vista incrível para o mar de quase todas as secções da casa. Cozinha para o chef trabalhar, nada faltava para boa disposição e bem estar!
A prova começou e, um a um, as boas prestações começavam! Num tipo de mar que predominava a escolha de ondas, destacaram-se quem melhores ondas apanhou. Não foi o caso para três dos meus atletas, apesar de boa atitude e vontade de ir à luta, ficaram pelo caminho. Um erro táctico de Leo é aproveitado pelo vice-campeão de San-Sebastian deixando o irmão do meio Belime pelo caminho. Sobravam então três atletas que a cada heat que passavam, crescia uma atitude de conquista e esforço incríveis. Num heat incrível do Kikas, os juízes falaram mais alto e apesar de ninguém na praia concordar, este despe a última licra de Sopelana. Filipe e Zé, um em cada meia final, cheios de confiança para conquistarem dois lugares portugueses na final, acabou por ser o Zé a ser traído pelas condições difíceis do mar, não conseguindo encontrar a onda que lhe permitisse aplicar o bom surf que tem. Foi então o Filipe que levou a bandeira portuguesa para o pódio, conquistando um mais que merecido segundo lugar, atrás de um atleta que esteve também muito bem ao longo de todo o campeonato.
Já do outro lado, em Zarautz, os dois rookies da Europa, João e Miguel, procuravam um lugar de prestígio no campeonato King of the Groms. Foi pena não ter sido possível acompanha-los, nem que fosse para assumir as culpas das suas baixas prestações.
Neste momento, e ao contrário do que tinha prometido, estou-vos a escrever isto em casa porque fiquei sem internet em Sopelana. Parece que deve ter sido o único "defeito" da nossa estadia!
Ontem partiram novamente para as Canárias com o Telmo onde vão certamente fazer melhor pois o arranque está dado! Em Lacanau, quando forem com o David, estarão todos, NO MÍNIMO, nos quartos de final, pois é lá que pertencem.
Mostrem-me surf! :)
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Tags: san-sebastian, sopelana, pro-junior, surftechnique, surf, rodrigo sousa, zé, filipe, kikas, miguel, joão, belime, vasco, xico, campeonato, julho
Começa então a segunda parte da viagem às Maldivas numa altura em que o corpo humano já se adaptava às mudanças. Para quem já lá foi sabe que não é fácil aguentar os primeiros dias sem nenhuma queixa. Ou é a barriga que está assada do wax, ou são os escaldões nos gémeos (mesmo com 3kg de creme), ou são os músculos doridos... enfim. Quando tudo isto parecia re-adaptado e o grupo se preparava para se preocupar apenas em surfar sem limites, entra a nuvem preta (reparem que não foi uma nuvem preta, mas sim a nuvem preta). Eu, que costumo estar muito tempo no Guincho, pensava que não haveria vento como aquele, mas enganei-me e trouxe-o comigo para as Maldivas. Com o mar a descer, o vento a subir e a chuva a insistir, os tripulantes decidiram prender o barco não com uma âncora mas sim com quatro, não fosse o barco ganhar independência. Uma coisa é certa, surf faz-se sempre, mas infelizmente conhecemos um lado menos bom do destino surf nas Maldivas.
O surfista quando viaja para surfar, não vê mais nada e são nestas situações que nos lembramos que afinal há sempre algo de novo para fazer ou ver e o fundo do mar lá é algo de incrível!
Detesto dizer que tenho azar nas minhas viagens, mas sinceramente começo a acreditar depois desta, juntando aos 8 dias nos Açores sem molhar a prancha ou mesmo aos 7 dias nas Canárias à procura de algo que não haja nas espectaculares sessões de surf no Guincho em pleno verão.
Neste momento estou em San Sebastian com os atletas da Surfechnique e quando nos fizeramos à estrada para Sopelana, ponho-vos a par!
O grupo Surftechnique continua o trabalho fora das fronteiras, desta vez em àgua quente e cenários paradisíacos. Foram organizados dois grupos para a deslocação às Maldivas com o objectivo de permitir a todo o grupo um maior aproveitamento e consequentemente melhor evolução técnica.
Foi dia 1 de Julho que partiu o primeiro grupo e após uma longa viagem, desde os 20graus europeus, passando pelos 45graus em Doha, chegámos a Male de manhã, prontos para começar o dia em grande. O sol fervia, o vento tinha tirado uma folga e a ondulação instabilizava a nossa viagem até à zona de surf. Com ondas a rondar o metro consistente, pusemos os calções na água na direita de Jails. A primeira surfada de calções é sempre a mais polémica... a prancha está a flutuar mais? Sou eu que venho cansado da viagem? Esta água é mais salgada? Entre muitas outras perguntas!
Foi o ínicio de 10 dias planeando três surfadas por dia, a primeira às 5h50 da manhã e a última às 15h, com outra inflitrada antes do almoço por volta das 10h. Escusado será dizer que às 21h já tudo roncava de barriga cheia... sim, porque a comida esteve 5 estrelas! Tudo corria como qualquer surfista sonha até que a primeira nuvem preta se aproximou, estava eu numa das ilhas a filmar na companhia de morcegos (que mais pareciam vampiros) e aquele insecto que nos atormenta a vida, principalmente à noite: o mosquito! Já estava eu mordido até às orelhas quando comecei a sentir as primeiras pingas da chuva. Guarda câmera, procura abrigo e tenta não estragar o novo material enquanto o Johny se junta a mim, trazendo uma notícia e a prancha que serviria para proteger da chuva(ada). A notícia era que o Telmo se tinha ido embora com um deles que levou com a prancha e tinha de levar pontos. Ora, isto significava que o Dinghy (barco pequeno que me levou à ilha) não estava disponível e eu estava preso na ilha! Já quando eu me preparava para passar ali uma noite, aparece o capitão do nosso barco, em pulgas porque tinha deixado o Dinghy à deriva, minutos antes de rebentar a tempestade. Fizemos a ilha a correr, perdemo-nos às voltas (numa ilha mínima, hehe) no meio da "selva" e conseguimos chegar ao Dinghy que já se andava a chegar ao coral!
Chegámos ao barco encharcados mas com a câmera protegida! Missão cumprida!
Já com feridas provocadas pela fricção do corpo na prancha, músculos doridos de três dias intensivos de surf e cansaço acumulado, a segunda parte do estágio começou!
Será o tema do próximo texto! :)

E como o surf não vive só de competição aqui vos deixo um link sobre Pavones, Costa Rica, muito interessante.
http://www.youtube.com/watch?v=071WzQbtA5c

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