
Vim para o interior do Estado de Karnataka, no Sul da Índia, para mais uma temporada de estudo e para ver o oceano, tenho de me fazer à estrada, percorrer milhares de kms e com sorte, encontrar alguma praia que receba swell. O problema da Índia é que tudo parece depender mais de sorte do que de informação, as estradas nem sempre estão nos mapas e perdermo-nos é o mais usual, entre descobrir as praias, entender quais as que tem hipótese de receber ondulação, ainda convém perder algum tempo em perceber se vamos ter extra-companhia, tubarões!
Já há algumas praias indianas conhecidas pelas suas ondas, a melhor altura é normalmente entre Maio a Setembro, época da pré-monção e da monção, vêm as ondas e também muita chuva. Aconselho os aventureiros que equacionam uma Surf Trip a esta terra abençoada, a trazerem prancha própria, porque o mais certo é não haver ninguém a quem alugar ou comprar uma.
Sinceramente, não vai ser desta vez que vou aí andar com a prancha debaixo do braço, estou inscrita na escola de Ashtanga Vinyasa Yoga até meio de Abril e ausentar-me está fora de questão. Talvez para o próximo ano vá percorrer a costa, na procura de ondas. Nos dias de hoje é fácil conhecermos outros surfistas e aqui já me falaram muito das ondas de Goa, Gokarna, Kovalam Beach, Auroville e as preferidas são as de Maravanthe e Puri. Mas pelos seus relatos, consegui discernir que uma Surf Trip à Índia pode ser uma verdadeira maravilha ou um terrível pesadelo, temos mesmo que recolher o máximo de informação e esperar que a sorte esteja do nosso lado.
Há uns anos atrás, na primeira vez que vim para esta terra, trouxe a minha prancha e num fim-de-semana prolongado, meti-me num jipe com mais uns amigos surfistas (portugueses e brasileiros) e fizemos-nos à estrada em direcção a Kerala. A escolha do pico foi feita porque um dos meus amigos, já lá tinha estado e havia-nos mostrado fotos que faziam sonhar com três dias de ondas pequeninas mas perfeitas. O plano era demorarmos 6 horas até lá, o caminho era tão cheio de buracos, as estradas tão rudimentares, que as 6 horas inevitavelmente passariam para 8, mas a sorte estava tão longe de nós, que alguém tinha fechado a estrada principal, como opção tínhamos o caminho pela montanha, cheguei a Kerala passado 12 horas. Deixámos as coisas no hotel, agarramos as pranchas e corremos para a praia, a praia achámos, mas ondas? Nada! Como não víamos mar há mês e meio, com ondas ou sem, entrámos todos, andámos para ali a remar e a rir da nossa (pouca) sorte. Nos poucos dias que lá estivemos e por mais rezas a Ganesha, Shiva e a todos os Deuses Hindus que nos lembrámos, não vimos nada que se parecesse com uma onda.
Namastê!
Vera
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O que pratico chama-se Ashtanga Vinyasa Yoga, é uma prática dinâmica, forte do ponto de vista físico, que implica a coordenação entre respiração e sequências progressivas de posturas. Se acha que fazer Yoga é sinónimo de seca, de estar parado e sentado a pensar na vida, que é coisa para mulheres ou idosos, saiba que tais ideias estão mais que ultrapassadas e que Yoga é algo desafiante, audaz e totalmente viciante. Um desafio, audácia e vício positivos e saudáveis, daqueles que nos trabalham o corpo, fortalecem a mente e alimentam a alma. Da mesma forma que nos sentimos mais vivos, quando estamos no mar, também o Yoga nos absorve num estado de realização e satisfação.
A ligação entre Yoga e Surf não é de todo uma novidade e isso é comprovado pelos profissionais que o praticam como complemento, Tom Curren, Tayor Knox, Teco Padaratz, Kelly Slater, Gerry Lopez, Dave Rastovich, Rochelle Ballard, Layne Beachley e o nosso Tiago Pires. No entanto, não são só os profissionais que podem beneficiar de uma prática regular de Yoga, mas todos os surfistas que vão para o mar com a única ambição de apanhar uma onda e desfrutar do contacto com o mar.
O Ashtanga Vinyasa Yoga é uma prática fluída, que junta o controlo da respiração com séries de posturas. Chama-se de Vinyasa, a sincronização entre respiração e posturas, o número exacto de respiração de entrada, permanência e saída de cada postura. Este Vinyasa cria calor interno no praticante, que é traduzido em transpiração, iniciando um processo de desintoxicação, libertando o corpo das camadas superficiais de gordura, aumentando a circulação sanguínea, melhorando a flexibilidade e agilidade, permitindo que os músculos se alonguem evitando lesões, ganha-se força e resistência muscular sem que haja um aumento do tamanho do músculo (hipertrofia). Paralelamente a mente fica mais atenta e perspicaz, aumentando o nível de atenção e concentração, tão imprescindíveis para o timming certo na hora de apanhar uma onda.
Yoga e Surf são coordenação, flexibilidade, agilidade, equilíbrio, força, resistência, foco, concentração e meditação. Puras meditações em movimento, seja em cima do tapete ou em cima da prancha, ambos nos fazem sentir mais vivos e mais reais.
Namastê!
Vera

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Comecei a fazer surf influenciada pelo melhor amigo que já fazia há anos. A sua dedicação, entusiasmo e compromisso para com o surf recordavam-me da minha própria entrega, inspiração e comprometimento com o yoga.
Passaram-se alguns anos desde que ficava nas espumas, no rema-rema, vira a prancha e põe-te de pé, os primeiros anos vivi uma relação amor/ódio com o mar, uma relação disfuncional onde o medo era uma realidade que me condicionava. Entrava com os amigos, eles remavam para fora e eu ficava nas espumas, ousava algumas vezes ir mais longe, a maioria das vezes porque puxavam por mim. Quantas vezes me diziam “ Anda Verinha, hoje está pequenino!” As minhas tentativas resumiam-se a remar um pouco mais e logo vir para trás, tal era o pânico das ondas. Tive que ficar na zona das espumas e com paciência ambientar-me ao mar. Confesso que ter medo causa muitas vezes frustração e até mesmo vergonha. A vontade de ir mais longe e o receio eram um constante e interminável braço de ferro e normalmente o medo vencia.
Fazia Yoga há anos e no entanto estava limitada pela minha mente que teimava comigo. Num dialogo intimista afrontava-me e assustava-me , fazendo-me recuar novamente para mais perto da areia.
Entre uma espuma e outra, observava os amigos e gravava na memória o que faziam, como remavam, qual era o timming de se colocarem de pé, a distancia entre um pé e o outro, a posição das pernas, ou como movimentavam o tronco, os braços e a cabeça. O que mais guardo desses tempos é a expressão que cada um tinha na hora de ir na onda. Eram rostos que me lembravam do meu yoga e que mostravam alegria, concentração, liberdade e realização.
Foi fácil perceber que estas duas áreas tinham semelhanças, exigem de quem as pratica devoção e auto-superação e devolvem bem-estar, sabedoria e integração.
Só posso agradecer aos muitos amigos que me ajudaram a conseguir estar hoje no outside. Quantas vezes me ouviram gritar sempre que entrava um set maior, quantas vezes me apoiaram com o simples calmante de estarem ali ao lado. Alguns riam-se, achavam que o pânico que traduzia era a brincar ou era fita, aqueles que me conheciam bem, sabiam que não era de todo brincadeira, que o medo era a minha realidade e que o esforço de estar ali, tinha a ver com a vontade de o superar.
Yoga e surf são mesmo semelhantes, em ambos precisamos de um corpo, uma mente e uma alma, ambos instigam à união destes três níveis do Ser Humano. Até os podemos exercitar sem termos muita consciência, mas a isso não chamamos Yoga e atrevo-me a dizer que também não é Surf. Ambos implicam destreza e superação, ambos nos fomentam uma maior noção das nossas capacidades e limitações e uma forte vontade de os ultrapassar.
Namastê!
Vera
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Finalmente chegaram as férias! Acabaram as aulas, o que significa mais tempo para surfar! Estamos quase no Natal e à porta de um novo ano, tudo perfeito até ao dia em que eu fui ver as previsões do mar para os próximos dias. Nestas ultimas três semanas houveram vários dias com altas ondas, não é que quando começam as férias, quando temos mais tempo para surfar, não há um único dia em que as previsões sejam boas? Prevêem-se dias com imensa chuva e ventos muito fortes onde boas ondas não estão incluídas Calculo que muitos estejam a sentir o mesmo que eu mas, infelizmente, não há nada a fazer se não rezar para que as previsões mudem. Acreditemos que tudo acontece por alguma razão, pode ser que estas férias menos boas em termos de surf signifiquem um próximo ano cheio de dias clássicos por toda a nossa costa...espere-mos que sim!
Resta-me assim desejar-vos um óptimo Natal e uma passagem de ano em grande, divirtam-se!


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Eu sei que não fica muito bem a auto-promoção.. mas que se lixe:))
É com muito orgulho que este mês tenho um pequeno portfolio na VERT, são 10 páginas de fotografias, nem todas de bodyboard, nem todas sobre o mar.
Devo frisar a abertura do editor (António Fonseca) em publicar, e não pela primeira vez, um portfolio com conteúdos mais abragentes. Acho que a maior parte das revistas nacionais de surf acabam por pecar por se limitarem apenas a fotografias de acção, quando o nosso desporto (seja ele surf ou bb) vai muito além da acção no mar. As viagens, as experiências, as pessoas, são parte integrante da nossa vida, e deviam, na minha opinião é claro, ter mais espaço na imprensa escrita.
Espero que gostem, pelo menos quase tanto como eu:)
www.goma.pt
www.flickr.com/andrecarvalho
www.andrecarvalhophoto.com
http://umframecomvida.blogspot.com





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